apophis não é éris porque éris jamais poderá ser apophis

ele é apep (também conhecido por aapep, apepi ou apophis)
ele é o espírito egípcio do mal, da escuridão, da destruição
e
do caos.
apep e éris têm algo de semelhante, em comum:…
a discórdia
e
o caos.
um (o primeiro) egípcio – um deus sem seguidores, sem ritos… (dizem).
a segunda é grega. ela é a deusa primordial
e
a senhora da discórdia – a que provocou a guerra de troia, a avó de zeus – os seguidores de éris reorganizaram-se… e os seus ilustres membros são os verdadeiros iluminados.
mas ambos os deuses são identificados com astros.
o egípcio é um asteróide, gira em torno do sol num espaço que pode (dizem os espertos) pôr em perigo o nosso planeta e, também, vénus. apophis poderá desempenhar o seu papel caótico ao embater num desses dois planetas.
já éris é um “planeta anão” (conhecido oficialmente como 136199 Eris) e gira nos confins do nosso sistema (para lá de platão). mas éris é uma deusa mãe (maternal) longe de nos colocar em perigo.

apep, porém, ameaça destruir o deus-sol (Rá) na sua viajem pelo mundo subterrâneo (ou céu?)

apep1
e
à noite
sempre à noite.

acredita-se que os deuses Set e Mehen (o homem com cabeça de serpente) foram incumbidos de defender Rá e sua barca solar…
essas divindades deveriam cortar a barriga da cobra (apep) possibilitando assim a fuga de Rá ao malicioso deus caótico.
acredita-se que, se falharem tal tarefa, o mundo mergulhará na escuridão – no caos.

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Asteroide Apophis
UMA POSSÍVEL ROTA DE COLISÃO em 2036
será que a “nasa” detém conhecimentos suficientes sobre um asteróide que se aproxima da Terra – que uma colisão em 2036 é possível?
há quem especule que depois do sol se pôr na sexta-feira, 13 de abril de 2029 (se o céu estiver claro), os habitantes da europa e áfrica do norte poderão contemplar um asteróide  voando à velocidade de 19.400 milhas aéreas antes de desaparecer silenciosamente no horizonte.
e
depois, se os piores temores dos astrónomos se tornarem realidade, o asteróide passará por um espaço a menos de 2.000 quilómetros de distância da superfície da Terra…
será aí que a colisão poderá ser uma realidade.

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mais tarde. bastante mais tarde… Apep foi identificado com Set (também ele um deus caótico – o deus do deserto).
então os deuses (Isis, Neith, Selket, Geb, Aker e outros – destacando os deuses que apoiavam Horus) organizaram-se e protegeram Rá. até os mortos (súbditos de Shu) lutaram com Apep para ajudar a manter Maat (a deusa da ordem).

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no papiro de hunefer, Apep é uma serpente enorme tal como nos textos funerários. no túmulo de Ramsés VI Apep é desenhado com doze cabeças – as almas que ele engoliu.
Ra é também retratado como um gato que corta a a cabeça de uma serpente (Apep) com um punhal.

sobre as cartas de jogar e logicamente os arcanos menores do “tarot”

sobre as cartas de jogar
e
logicamente os arcanos menores do “tarot”
poderíamos afirmar que representam quatro signos. ou seja, paus (fogo/sol), copos (água), espadas (ar) e círculos (pentáculos – também chamados ouros – terra).
será que as figuras são hieróglifos do tetragrama? que paus é o PHALLUS dos egípcios?… que copos é o CTEI? que as espadas são a conjunção de ambos, as quais se elevam e fundem no ar que respiramos? e que o círculo/pentáculo, é a imagem do mundo – o nome do divino?
e
se a tese de que o baralho está incompleto, que haveria mais dois naipes que representavam o que está em “cima” e o que está em “baixo” for aceitável?… ou seja, faltarão – mesmo – os naipes que representam o caos (baixo) e éter (cima)? – a ideia de éter é baseada na tese (caída) de que o elemento seria o meio de propagação da luz, tal como o ar é o meio de propagação do som…
pensando nesta hipótese, a de que faltam dois naipes, considerei que o signo do caos faz todo o sentido estar presente no baralho. que é um signo que, digamos, deve fazer parte de um “tarot”. todavia o outro, o que representa o que está por “cima” já figura no baralho de jogo ou nos arcanos menores do tarot – ele é o signo de espadas (o ar)
e
o ar é, não só, um meio de propagação do som – ele é também propagador de luz…

é com este raciocínio que chego a este novo tarot em construção. vou recuperar um dos naipes “perdidos”, o que representa o signo do caos.
será, pois, um signo só visível para o consultor e vedado ao consultado (aos não iniciados). o caos é o signo da deusa primordial greco/latina – éris/discórdia. a deusa do início de tudo. enfim, a grande arquitecta do universo
e
avó de zeus

quando construí o “tarot poético de éris” (editado por mandrágora ver aqui ou aqui), joguei com os seus símbolos (divertidos da geração “beat”) do qual se destaca: o número mágico de éris é o 23, porque 23=2+3=5 – os 5 dedos da mão de éris…

hoje proponho um tarot “caótico” de 5 naipes
e
o 5º naipe não deverá fazer parte da “árvore da vida” como acontece aos restantes.

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a unidade do tetragrama pode ser resumida (como defendiam certos cabalistas) ao que se segue:

1 – KETHER – os 4 ases: a coroa dos deuses com seus quatro florões
2 – HOKMAH – os quatro duques: a sabedoria que se espalha para formar quatro rios
3 – BINAH – os quatro ternos: a inteligência que revela as quatro provas
4 – CHESED – as quatro quadras: a misericórdia e seus quatro benefícios
5 – GVURAH – as quatro quinas: o rigor pune quatro vezes os quatro erros
6 – TIPHERETH – as quatro senas: quatro raios revelam a beleza
7 – NETZAH – as quatro biscas: as que celebram quatro vezes a vitória eterna
8 – HOD – os quatro oitos: que, por quatro vezes, triunfam no eterno
9 – YESOD – 0s quatro noves: os quatro pilares que suportam o trono divino
10 – MALKHUTH – o único reino, em conformidade com os florões do divino diadema.

joguemos pois!…

O olho frio de francis picábia

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Depois da nossa morte deviam meter-nos numa bola, e essa bola seria de madeira de várias cores. Deixavam-na rolar para nos levar ao cemitério e os cangalheiros responsáveis por esse trabalho usavam luvas transparentes, para trazer aos amantes a lembrança da ternura.

Para aqueles que desejassem enriquecer a sua mobília com o prazer objectivo do ser querido, havia bolas de cristal, através das quais se poderia perceber a nudez definitiva de um avô ou de um irmão gémeo.

Sulco de inteligência, lâmpada corta-mato; os homens parecem-se com os corvos de olhos fixos que levantam voo por sobre os cadáveres e todos os peles-vermelhas são chefes de estação!

não mijes para a parede ou dos cem anos de papelada industrial dada

dada foi, em movimento, pela arte dentro
dada foi, em movimento, pela arte de fora
dada foi e esteve sempre (em/no) movimento

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neste tempo e lugar – não. não é uma coincidência
a arte dada não fazia sentido (?) – não faz (?).
e
os artistas fizeram de dada – DADA.
no seu mundo (espaço e tempo) já nada fazia sentido – a lógica convencional conduzia-os ao absurdo. a guerra mundial (I) encerrava portas
e
uma outra guerra mundial se pressentia.
a arte não fazia sentido – ainda que não lhe possamos, efectivamente, chamar arte-dada ou ANTI-arte-dada – daí rejeitar todas as causas que provocaram aquela atrocidade (a primeira das guerras)

isso (a rejeição) sim. fazia sentido. total sentido (se isso faz algum sentido)
coisas estranhas?
novas coisas (para o momento)?…
apropriar-se de coisas já feitas – colá-las ou soldá-las
e

aí estão os poemas
aí estão os textos dramáticos
aí estão as pinturas
aí estão as esculturas

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chamemos-lhes isso: poemas dada, esculturas dada, dramas dada, pinturas dada…
mas há. há uma séria continuidade intelectual entre o absurdo de colocar um monte de tachinhas no fundo de um ferro, tornando-o inútil e gritar: – aqui está uma escultura, uma obra de arte dada!…

ping!… dias de glória
…………………….. os gatos atrás da cerca do descascamento
e
…………………….. os muitos são massacres de formigas
……………………………………………. na estrada
…………………….. os pântanos sabem a xarope de alcatrão
…………………….. sobrevoam os olhos das gaivotas
…………………….. arrastam as atrocidades da guerra
……………………………………………. nada como o carvão que nos asfixia
e estrangula os emaranhados-de-bolos-de-arroz

ah!…
não mordas os vidros
os vidros têm farpas
e
os preservativos pendem como meias ao vento
sinalizam colchões húmidos empilhados sob o viaduto

o ouro das nuvens fumantes
…………………….. queima as chaminés

proliferam já os discos compactos nas almofadas de lírio-prata
…………………….. no teu cadillac
nem te apercebes da presença dos cérebros das prostitutas
………….. a tua balança receberá outro mundo
………….. uma vez que há um plano oculto com flores de veneno amarelo efervescente
e
…………………….. os macacos-menino divulgam
…………………….. à porta das igrejas
…………………….. velhas revistas humorísticas-cósmicas-pornograficas
…………………….. que tremem como corvos de bolso
por favor
não mijes para a parede
nem para o retrato de família

……………………………………………. 2016
cem anos de papelada industrial dada
a sentir-se nos dias da modernidade num crescendo e em estado constante de guerra

divina senhor éris – rito – sociedade discordiana

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Hail Eris!…

construíste para ti mesmo uma armadura psíquica
fortificaste a visão ainda que restrita e os teus movimentos são desajeitados e dolorosos, a tua pele está franzida, e o teu espírito grelhado pelo grande sol
eu sou o caos.
eu sou a substância da qual os teus artistas e cientistas constroem o ritmo
eu sou o espírito com o qual os teus palhaços riem em feliz e harmoniosa anarquia
eu sou caos
eu estou vivo
e
eu te direi que

és livre!

esopo (fábula grega de corrente alterna – século VI):

heracles orientado através de uma passagem estreita, viu algo que parecia uma maçã no chão e… tentou descascá-la.
então
foi atingido pela casca da maçã e esta, cresceu até atingir o dobro do seu tamanho.
heracles reagiu e tentou descascar novamente a maçã. o acto parecia ainda mais difícil do que antes.
a “coisa” então se espalhou pelo chão e agigantou-se – atingiu um tamanho extraordinário…
a “coisa” bloqueou todas as passagens e heracles sentiu-se bloqueado.
heracles lançou depois a maçã e… ficou impressionado.

athena observou atentamente o objecto e disse:
– ‘oh heracles, não fiques surpreendido!…

este acontecimento causou muita confusão no reino das deusas.
aporia (deusa da controversia) e éris (a nossa divina – a da discórdia) reagiram e, exclamaram em coro:
– se o deixares tal como está
não mais inchará
permanecerá pequeno
mas se decidires combatê-lo…

oh!…
éris, deusa da noite
oh!…
éris, portal de luz
oh!…
éris: delirante súcubo
oh!…
éris, autocarro divinal
oh!…
éris, phoenix
oh!…
éris, coração gelado pelo pacto
oh!…
éris, corrente de ar lânguido
oh!…
éris, veneno, armadilha líquida
oh!…
éris, elementar santuário!… escorrega sobre nossas entranhas. oh estranha concubina
de todos os homens
de todas as mulheres
este vinho foi consagrado em teu nome!
e nós, atingimos a nossa difícil meta

atingimos a sociedade discordiana
seguimos o bispo dos bispos
o nosso santo papa

* a poderosa sociedade discordiana, uma célula rebelde dos Iluminatti, irá depor o papa actual
e
eleger um homem que
deseje viver em harmonia com o mistério da mente feminina – com a melhor experiência dos grandes mistérios da “Mente Divina”…

 

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teatro núnico – texto de Pierre-Albert Birot

A PROPÓSITO DE UM TEATRO NÚNICO

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O teatro íntimo, o teatro de costumes, o teatro psicológico, é um teatro morto; ele já não tem ligação com a nossa mentalidade, não tem mais vida que um retrato de Bonnat.
 No tempo em que a ciência põe o mundo inteiro na mão de cada homem, os espíritos não podem fazer menos do que alargar a sua amplitude e a sua ambição; hoje, mais do que nunca, o homem e, sobretudo, o artista deve dizer: nihil humanum… O mundo inteiro é o seu atelier, o mundo inteiro é o seu gabinete de trabalho, o mundo inteiro é o seu modelo e ele só pode ter aspirações ao que se poderia chamar o mundialismo ou o universalismo.
Os pintores entraram deliberadamente nesta via, os poetas também, o teatro segui-la-á necessariamente.
 Primeiro ponto, naturalmente, supressão das três unidades.
 A acção principal não terá, por assim dizer, maior importância do que as outras acções ou fragmentos de acções que a compenetrarão; não se recuará diante de nenhum contraste, nenhuma diversidade, nenhum inesperado, acrobacias, cantos, palhaçadas, tragédia, comédia, piada, projecções cinematográficas, pantominas, o teatro núnico deve ser um grande todo simultâneo, contendo todos os meios e todas as emoções capazes de comunicar uma vida intensa e inebriante aos espectadores. Para aumentar ainda mais esta intensidade, as múltiplas acções desenrolar-se-ão no palco e na sala. Para atingir um realismo mais profundo, desdobrar-se-á algumas das personagens de maneira a mostrar os actos e os pensamentos, tantas vezes em contradição.
Não tendo nem unidade de lugar nem unidade de tempo, isto é, devendo ter simultaneamente cenas em Paris, em New York, em Tóquio, numa casa, no mar, no subsolo, nos ares, nos tempos pré-históricos, na Idade Média, em 1916, no ano 2000, não se põe nele a questão do cenário: a luz, apenas ela, pode ser a pintura neste teatro. Toda uma paleta de projecções coloridas criará a ambiência. Alguns objectos constituirão as referências indispensáveis, assim como as projecções de país, monumentos, inscrições.
 Do mesmo modo que no teatro (edifício), ele não poderá ser senão um circo no qual o público ocupará o centro, enquanto sobre uma plataforma periférica giratória se desenrolará a maioria do espectáculo, ligado ainda ao público por actores disseminados no seu recinto.

Texto de Pierre-Albert Birot

episódio com um lobisomem – composto a partir de história narrada numa taberna (venda) do interior algarvio (concelho de tavira) (1)

o lobisomem é uma figura maligna – um homem ou espírito em forma de lobo que vagueia pela terra (de noite) – influenciado pela lua…
 lobisomem é, portanto, alguém que possui a capacidade de se transmutar (em lobo). uma maldição, é a crença. e, a crença “diz-nos” que essa “infecção” é transmitida ou contraída através da mordida de um outro lobisomem ou (ainda) pela maldição de um mago ou bruxa. é, pois o lobisomem, uma criatura do mal em busca de vítimas – animais ou humanas.
 a lenda “lobisomem” remonta à antiguidade clássica – grécia.
segundo o geógrafo pausâneas – o pugilista arcádio damarco parrásio (herói olímpico), transformou-se em lobo depois de um sacrifício a zeus. este personagem permaneceu nesse estado durante nove anos… 
na idade média afirmava-se ser possível um homem tornar-se lobisomem caso, numa noite de lua cheia, se esfregasse ou rolasse na areia de uma praia. e seria inevitável a transformação/infecção caso alguém bebesse água de um regato onde estiveram anteriormente lobos.
 mais recentemente se afirmava haver muitos lobisomens na beira interior, alto alentejo e algarve.
 a peeira, caminhante ou fada dos lobos é a companheira e guardiã desses canídeos… ela tem o dom de comunicar com a alcateia e mesmo organiza-la. a fada dos lobos, surge primeiro para tomar conhecimento do espaço e, só depois, os lobos entram em acção. 
para matar um lobisomem devemos estar prevenidos com armas de prata – punhais,  flechas, dardos e, evidentemente, balas.

lobo

estava eu regando o milho, era quase sol posto, quando vi debaixo da figueira uma moça-pequena vestida de branco.
 o vestido arrojava pelo chão.
 olhei de novo e passou-me um arrepio pela “espinhela”… fiquei meio “almariado”…
 depois passou.
a mocinha parecia “dar de vaia” e resolvi ir ao encontro dela para ver que me queria.
larguei a enxada e fui. aí levantou-se um vento quente e meio que uma “negregura”. a moça, aí, levantou o vestido e “dasalvorou” direita ao monte. não mais lhe meti os olhos em cima mas certo, certo… é que o diabo da moça não tinha pernas de gente, eram assim como as patas dum bode.
ah mãe “santissema”!… há coisas do diabo. quem há-de “acraditar”?
fui ao tanque, “fechê” a água e lá me “fiquê” com os meus pensamentos e, a caminho de casa preguntei-me:
- terá sido um “adrego”?…
 pensei e, nisto, oiço a modos que um uivar de cão.
 olho para cima e lá estava a moça de novo, agora com um cão que lhe chegava pelos ombros de grande que era.
“aí vai roupa”! pensei.
e meti-me porta dentro, carreguei dois cartuchos na espingarda.
“mó… ma que jeito tem isto?”
da janela vi a lua, muito redonda… parecia escorria de sangue.
 “arrepiê-me” todo…
“fiquê” sentado junto à janela. se a magana da moça ou o cão me aparecem… dou chumbo neles. tinha uma “catrefa” de coisas p’ra fazer, mas não. não ia sair dali, havia de apanhá-los.
já a noite ia alta quando vi uma sombra que passava, em altura, o telhado. agarrei a arma e “vai de tiros”.
 o bicho ganiu com força e desapareceu na noite.
 o “cèrté” que na manhã seguinte, na venda, ouvi dizer que o compadre balé estava muito mal, que passara a manhã toda a “impar” com dores na zona do cachaço. que era assim como uma queimadura…

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(1) registo gravado em 1970 – mantivemos a forma oral do discurso, incluindo os termos e palavras regionais